sábado, 3 de outubro de 2009

FIM

30 freguesias percorridas a pé. Quase 400 quilómetros calcorreados. Milhares de Vilacondenses contactados. Todos os problemas do concelho observados e registados no próprio local. É este o balanço da nossa iniciativa «Vila do Conde a Pé» que me levou a todos os recantos do concelho.
Defendemos que a política verdadeira e honesta faz-se olhando nos olhos dos cidadãos e não apenas colocando cartazes em todas as esquinas. E foi por isso que optamos por nos apresentar pessoalmente a todos os vilacondenses.
Poderíamos estar aqui a desenrolar as incontáveis queixas que escutei ou as inúmeras carências de que o concelho padece. Mas observando a floresta no seu todo e não cada árvore, uma palavra emerge: INJUSTIÇA!
É INJUSTO ver as condições de autêntica miséria em que vivem milhares de Vilacondenses e, ao mesmo tempo, contar 24 habitações sociais por ocupar em Vilar do Pinheiro, 8 em Macieira, 19 em Árvore, 12 em Fajozes, e por aí fora…
É INJUSTO ver a Câmara Municipal ter 120.000 euros para acções de propaganda no «Jornal de Vila do Conde» e na «Rádio Linear» e não usar exactamente esse mesmo montante de dinheiro para oferecer os manuais escolares a todos os pais vilacondenses com filhos no Primeiro Ciclo.
É INJUSTO ver que os Vilacondenses sem vias de comunicação condignas, sem redes de água e de saneamento, sem escolas devidamente equipadas, têm de pagar a mesma taxa de IMI-Imposto Municipal sobre Imóveis que os que vivem no Porto, na zona da Foz, no Estoril, em Cascais ou nos condomínios de luxo do Algarve.
É INJUSTO continuarem a ter um presidente de Câmara que em 28 de Fevereiro de 2007 prometeu que jamais admitiria o encerramento da nossa urgência e, no dia seguinte, 1 de Março, em Lisboa, assina o acordo de encerramento.
É INJUSTO os Vilacondenses das trinta freguesias pagarem a Polícia Municipal e esta só actuar na cidade.
Estas são apenas algumas das injustiças que se prolongam no tempo e que urge eliminar. Mas, para isso, torna-se urgente que Vila do Conde escolha uma nova liderança. É imperioso que se escolha a mudança. Mas não uma mudança brusca ou tempestuosa, antes uma mudança calma e tranquila. É isso que propomos. Estamos certos de que iremos ter a confiança dos vilacondenses.

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

E, por fim, Ferreiró...que não fica só!


Eis-nos chegados à última etapa do «Vila do Conde a Pé»: Ferreiró. E que bela freguesia é Ferreiró, uma imagem que é acentuada pela sensação de que, por cá, o tempo parou. Por isso, nem consigo imaginar a barafunda que deve ter sido a apresentação de uma lista "só de mulheres" como não se cansou de dizer a Gabriela Castro, a «Gabi» dos meus tempos de Faculdade.
Em Ferreiró ainda se desfrutam belíssimas paisagens agrícolas e o Ave, ali tão perto, ajuda, e muito, no cenário. A calma, a pacatez e o silêncio imperam apesar do mais que evidente atraso na freguesia. A G«Gabi» vai tratar do assunto!...

Distância percorrida: 7,4 KM (Acumulado: 384,16)

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Air Avelada

Paredes meias com o aeroporto, não admira que o nosso «porta-a-porta» tenha sido interrompido, quase constantemente, pelo levantar de ruidosos aviões. Deve ser complicado adormecer durante o dia, muito embora quem lá more certamente que já nem liga-era precisamente o que me acontecia, já que, em linha recta, nem sequer estava a 500 metros de Aveleda e o ruído era, sensivelmente, o mesmo e ainda tinha a Nacional 13 mesmo debaixo da minha janela do quarto. Aliás, o ruído passa a fazer parte integrante da nossa vivência, como comprova o facto de que, quando casei, fui viver para uma zona onde nem um carro se ouvia passar. O silêncio era tanto que me custava a adormecer... E o barulho era, igualmente, um serviço meteorológico gratuito e fiável: quando se ouviam os aviões na pista ou, mais perto, a passagem do comboio, era certo e sabido que aí vinha mau tempo.
Tirando duas urbanizações, Aveleda está praticamente igual ao que sempre foi o que resulta, igualmente, do facto de estar inserida na zona de influência do aeroporto, mas isso não é desculpa para o estado lastimável de algumas ruas (e não estou a falar das obras da Indáqua) e para a poluição do ribeiro que a atravessa.
Tal como muitas outras freguesias, a mudança é imperiosa!

Distância percorrida: 11,2 Kms (Acumulado 376,76 Kms)

sábado, 26 de setembro de 2009

S.Simão da Junqueira

A freguesia da Junqueira tem uma personalidade muito própria, acentuada, talvez, por anos e anos de influência do sempre majestoso Mosteiro de S. Simão. Passear pelas ruas da freguesia é um enorme prazer, seja em Casal Pedro ou em Barros, sem esquecer algumas casas de quinta muito bem recuperadas.
Mas a volta que demos durante alguns dias beneficiou de um cicerone exclusivo – em termos culturais, claro. Estou a falar do candidato da Coligação «Adoro Vila do Conde» que polvilhava as esquinas, as subidas e descidas com comentários e referências de carácter histórico, que trouxeram um ar único a estas visitas – e recordo que a Junqueira foi a 28ª do nosso périplo pelo concelho de Vila do Conde.
Tive pena de não poder encontrar o Nelson Silva, um junqueirense que gosta como poucos da sua terra e que é um dos dinamizadores do Junqueira Online. Trabalhei com ele durante um largo período de tempo no jornal «Terras do Ave» e não tenho qualquer problema em afirmar publicamente que assisti ao nascimento de um profissional superior, para quem a ética jornalística era e certamente continua a ser um valor absoluto e a nunca menosprezar. Sei que, hoje, está pela Irlanda, uma terra que consegue ser ainda mais verde que a Junqueira.

Distância percorrida: 10,36 Kms (Acumulado: 365,56 Kms )

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Na enorme Bagunte...

Quando era miúdo e ia para a praia, em Vila do Conde, o meu pai fugia ao trânsito de Verão que engrossava na Nacional 13 para atravessar o Ave (curiosamente, as filas permanecem iguais…) atravessando o Ave em Bagunte, primeiro pela velhinha D. Zameiro e, depois, pela «Ponte nova». E eu sabia que estava em Bagunte quando começava a ver os muros da Quinta d’Além. Altos, graníticos e imponentes, faziam-me sonhar com o que haveria por detrás, certamente lobos terríveis ou, no mínimo, cães ferozes…
Mais recentemente, Bagunte fez despertar em mim uma outra admiração: a cividade, provavelmente o maior tesouro histórico por revelar em Vila do Conde. A primeira vez que lá fui, de carro, armado em aventureiro de todo o terreno, o tempo estava chuvoso e fiquei atascado… Só por sorte consegui sair sem passar pela vergonha de pedir ajuda … A recompensa veio alguns anos depois, quando encontrei, lá em cima, o Dr. Paulo Pinto, arqueólogo da Câmara Municipal, que teve a amabilidade de, no local, nos envolver no seu entusiasmo pessoal por aquele espaço.
Mas Bagunte não impressiona só pela História. Desde logo, a extensão, de Santagães a Corvos atinge, seguramente, meia dúzia de quilómetros. Aliás, o conta-quilómetros aqui baixou substancialmente porque se optou por fazer quase todas as ligações recorrendo ao automóvel, sob pena de se chegar ao dia das eleições e a volta pela freguesia continuar por terminar…

Distância percorrida: 9,64 (Acumulado:355,2 Kms)

domingo, 20 de setembro de 2009

Na terra da mais bonita igreja de Vila do Conde

Mais de 10 km2! A freguesia de Rio Mau é enorme e rebenta com qualquer iniciativa deste género. Ou quase… Na verdade, enquanto nas restantes freguesias registamos uma média de visita de 55 habitações por hora, em Rio Mau a média desceu para metade. O povoamento, aqui, é disperso, o que prolonga, e muito, o tempo necessário para visitar todas as casas.
A vastidão da freguesia leva a que se identifiquem zonas completamente distintas, e que vão desde a proximidade ao rio Este até à vizinhança com a poveira Terroso. Ou então, a imperdível vista sobre a parte Norte de Rio Mau que se obtém a partir do lugar da Portela.
A freguesia, até pela sua extensão, tem uma vocação especial para a agricultura. E, efectivamente, os omnipresentes campos de milho ganham dimensão – o que também acontece com as máquinas agrícolas, claro está… Em contraste, também encontrámos muita gente a viver de agricultura de subsistência e em condições que poderiam ser melhores…
O momento especial ocorreu logo no primeiro dia e já era noite: a visão da igreja românica de Rio Mau, o templo mais bonito do concelho e da região. É claro que isto é subjectivo, mas sou um grande admirador da simplicidade rude do estilo românico. O actual edifício remonta ao século XII e tem na porta principal, com um tímpano belíssimo, a face mais conhecida. O interior, escuro e feérico, abriga elementos onde se misturam influências cristãs com outras de fonte pagã (o famoso barco viking…), sem esquecer a fantástica capela-mor. Estes são alguns dos ingredientes que fazem da igreja românica de S.Cristovão de Rio Mau uma jóia arquitectónica ímpar e que merecia melhor divulgação. Foi tempo, ainda, de recordar trabalhos passados, especialmente a reportagem que fiz quando era director do «Terras do Ave» e que me permitiu descobrir pormenores que ainda fizeram aumentar mais o fascínio que sempre nutri por esta igreja. Vila do Conde, e Rio Mau em especial, têm aqui um diamante raro.


Registo final para mais uma curiosidade animal: depois da avestruz de Modivas e da iguana, em Fornelo, em Rio Mau vimos corças e veados...

Distância percorrida: 21,76 Kms (Acumulado: 345,56 Kms)

Tougues, terra mártir

Começámos Tougues bem cedo, numa manhã de Domingo e, pelas 16.30 já tínhamos terminado. Se não fosse o estaleiro da ETAR, poder-se-ia dizer que a freguesia permanece, há muito, parada no tempo. E por falar em ETAR, proponho recordar aqui um texto escrito há bastante tempo, mas que não perdeu actualidade:
«Como é sabido, já lá vão trinta e cinco anos de poder socialista em Vila do Conde, mas no que diz respeito ao tratamento de águas residuais ainda estamos no «ano zero». Felizmente, em Tougues, está a construir-se a primeira ETAR, o que diz bem do enorme atraso em que, também em matéria de Ambiente, se encontra o nosso concelho. Curiosamente, ou talvez não, a verdade é que a freguesia de Tougues parece ter sido promovida à versão vilacondense da «Terra Prometida» em questões ambientais. É que, antes da ETAR, já lá existia o aterro sanitário da LIPOR.
Concerteza que os habitantes de Tougues se devem sentir orgulhosos por acolherem equipamentos que servem milhares de pessoas, já que quer a ETAR quer o aterro servem bem mais do que o concelho de Vila do Conde. Claro que ambos os equipamentos são importantes e servem, mesmo que indirectamente, a própria freguesia, mas a sua chegada causou impacto ao nível da própria estrutura e dinâmica de Tougues, sem esquecer o abalo irreversível na calma e pacatez da vida dos touguenses.
Caberá, então, perguntar: que contrapartidas recebeu a freguesia por ver ser-lhe imposto estes ónus? A resposta é desconsolante: NADA. As redes de água e de saneamento ainda não chegaram. O campo de futebol continua sem as obras reclamadas, a começar pela bancada. A prometida «praia fluvial» não passa de uma miragem eleitoral. Os acessos, como a ponte de Retorta, que bem podiam ajudar, ainda não saíram do papel. Melhores escolas e melhor saúde? Nada! Da parte dos responsáveis, nomeadamente a Câmara Municipal, nada se ouve.
Da actual Junta de Freguesia nem é bom falar, pois deve ter sido mordida pelo vírus do silêncio: nada de confrontos ou reclamações que possam perturbar o descanso do senhor Presidente da Câmara…
Estou certo que a gente sábia, inteligente e honesta de Tougues, saberá agradecer-lhes pela ingratidão nas próximas eleições autárquicas.
Connosco, poderão ter a certeza que encontrarão uma mão honesta e compensadora que dará à freguesia aquilo que ela merece, pelo sacrifício de receber a ETAR e o ATERRO: melhores vias de comunicação, melhores equipamentos sociais e, principalmente, o reconhecimento público pelo serviço que estão a prestar a Vila do Conde.»

Distância percorrida: 8,22 Kms. (Acumulado: 323,80 Kms)

sábado, 19 de setembro de 2009

Vila Chã, uma freguesia com...glamour!

O «Vila do Conde a Pé» teve abriu em Vila Chã a sua única excepção de campanha exclusiva de porta-a-porta. Freguesia alegre e bem disposta, optámos por percorrê-la em ambiente de «arruada». Bombos à frente, muita gente atrás, bandeiras, material de propaganda em quantidade e toca a andar!...
A volta começou pelo Rio da Gândara, onde ainda se ergue uma casa nossa, mandada construir pelo meu bisavô Joaquim, paga com dinheiro ganho a trabalhar em muitas partes do Mundo, em especial nos Estados Unidos da América. Já referi esse exemplo muitas vezes: tenho uma foto dele, de 1912, em que ele está, com outros companheiros, metido na neve, a abrir uma vala para saneamento. Curiosamente, quase cem anos depois, o seu e nosso concelho ainda está, na sua maior parte, a carecer de um tal equipamento. É este o sinal do nosso atraso…
Mas a «arruada» percorreu também a zona da praia, onde a animação está garantida. Muita gente na rua e nos cafés num turbilhão de cumprimentos, abraços, beijinhos e, principalmente, muitos votos de confiança. E muitas mulheres bonitas! Um cheirinho de glamour!...

Distância percorrida: 6,2 km (Acumulado: 315,58)

Em Vila Chã, uns prometem, mas outros cumprem...


sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Canidelo

Sempre a descer! Não a freguesia, claro, mas a nossa visita, já que se optou por começar no «Souto da Sapateira». Uma excelente ideia que sempre nos poupou um esforço adicional – o que, passados tantos quilómetros, é de aproveitar.
Apesar de pequena, a freguesia de Canidelo tem marcas características. Desde logo, a fábrica da pólvora. A verdade é que, enquanto o porta-a-porta rolou nas imediações, havia em todos uma sensação de algum desconforto, com excepção do Paulo Aroso, uma verdadeira pilha-alcalina-de –longa-duração no que a boa disposição diz respeito… Outra característica, esta mais agrícola, prende-se com as plantações de limões, raras em Vila do Conde e que dão um toque diferente à paisagem. Não por acaso, são quase todas do candidato…
E por falar em paisagem, a vista do alto de Canidelo é espectacular, alongando-se a vista pelas freguesias vizinhas até ao mar. Com a luz do sol a desfalecer e a calma que percorre a freguesia, tudo se conjuga para que os fins de tarde, em Canidelo, sejam únicos.

Distância percorrida: 7,82 Kms (Acumulado: 309,38 Kms)